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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Será que depois de Troia vamos ficar sem a Arrábida? 

Tudo foi conduzido no maior segredo, ou não fosse o negócio envolver largos milhões de euros e nele participarem tubarões da alta finança.

A comunicação social ainda nada divulgou e se não fosse a internet o povo continuaria na ignorância. Felizmente que centenas de pessoas estão já a partilhar a notícia nas suas páginas e grupos sociais.

“Parece um sonho! Nada irá ser como dantes na Arrábida, depois da transformação da desativada 7ª Bataria de Artilharia de Costa num hotel de luxo e da zona ocupada pelo refeitório dos oficiais vir a tornar-se no mais elegante restaurante da Península Ibérica”. Afirmou Maria Palas, Subsecretária de Estado para a Reconversão do Património Degradado.

Devido à crise na construção civil, que originou uma acentuada quebra de consumo de cimento, a empresa antecipou a desativação da exploração conseguindo como contrapartida a autorização da construção de um luxuoso condomínio fechado a edificar nas plataformas de exploração de inertes. Uma área que têm vindo a ser amplamente arborizada com esse objetivo no horizonte.

As edificações a construir ficarão dissimuladas entre a frondosa vegetação e a sua arquitetura inovadora permitirá que as mesmas passem quase despercebidas até para quem olhar para a serra a partir do Sado.

O cais de atracação de navios que chegam à cimenteira para carregar será adaptado para cruzeiros que ali desembarcarão e embarcarão passageiros depois de uma curta estada.

Foi ali que ficou atracado o enorme e luxuoso  iate do patrão do Chelsea. Este teve oportunidade de sobrevoar a Arrábida, no seu helicóptero particular, fazendo um pormenorizado reconhecimento, antes de se dirigir para a reunião de negócios na capital.

A zona de parqueamento de materiais à beira do mar será transformada numa imensa praia artificial de fina areia branca, um espaço que será coberto com material translucido de forma a poder ser utilizado durante todo o ano. Ele será decorado com luxuriante vegetação, a exemplo do que já foi feito em Soporo, no Japão.

 “Do ponto de vista ambiental e económico, tudo se apresenta perfeito e vantajoso para o Estado e para os investidores particulares”, afirmou o Eng. Manuel Rasquinha, Secretário de Estado da Recuperação Paisagista, após a reunião privada que manteve com o milionário Ibramovic, dono  dos blues, aquele que se supõe seja o principal investidor e parceiro da cimenteira.

Não foi apurado se este negócio de milhões teve ou não a mão de José Moirinho, o conhecido técnico setubalense, sabido do seu amor pela Arrábida e pela terra que o viu nascer.

De notar que o projeto está calculado para que venham a ser criados cerca de 2.750 novos postos de trabalho, depois de concluído, o que se prevê venha a acontecer dois anos após o início da construção prevista para o último trimestre deste ano.

Entretanto, já começaram os trabalhos preparatórios, com a vedação de alguns espaços bem como a colocação de estranhos “postos de controle” e colocação de cancelas na estrada que passa pelo alto da serra, o que nos leva a pensar se aquele projeto turístico para a Arrábida será acessível a todos ou apenas a alguns privilegiados, temendo que venha a acontecer o mesmo que em Troia onde se deixou de ver os barcos apinhados de setubalenses que para ali iam usufruir da bela praia dos seus antepassados.

Tudo indicia para que depois de Troia os setubalenses em breve farão adeus à Arrábida, caso não tomem consciência da grave situação que parece estar já em curso.

Como já temos esse triste exemplo, o melhor mesmo é estar atentos e alertar todos os que pudermos, divulgando aquilo que a comunicação social ainda não o fez, e vamos lá nós saber porquê…

Rui Canas Gaspar
2015-04-01

www.troineiro.blogspot.com


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O texto acima é fruto de imaginação e foi divulgado no âmbito da tradicional mentira de primeiro de abril

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