notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Rampa da Arrábida ou o sonho tornado realidade

Por detrás de um qualquer empreendimento, pequeno ou grande, há sempre o sonho de alguém que, por vezes, remando contra ventos e marés o consegue tornar realidade.

A Rampa da Arrábida, provavelmente o mais importante evento desportivo realizado em Setúbal neste ano de 2017 é disso exemplo, dado ter nascido do sonho de Fernando Matias, um homem com raízes setubalenses e com uma vida ligada aos automóveis.

Os seus avós eram proprietários de uma fábrica de conservas aqui na cidade e viriam a falecer num acidente de automóvel, quando regressavam de Palmela em 1949, num Citroen Arrastadeira, deixando órfão um rapaz de 12 anos que foi morar para casa de uns tios, em Lisboa.

A criança cresceu lá pela capital, casou-se, mas o seu coração ficou desde sempre ligado a Setúbal, para onde se deslocava quase todos os fins de semana frequentando naquele tempo as lindas praias da serra mãe, de Galapos e Portinho da Arrábida.

Setúbal naturalmente estava sempre no seu coração e é desta linda terra que guarda as melhores recordações de infância.

O pai de Fernando Martins, até perto dos 40 anos, competiu nalgumas provas automobilísticas e, a Rampa da Arrábida, era a sua favorita por questões óbvias, logo, naturalmente também se tornou a do filho.

Com o final da competição na serra muitos adeptos do desporto automóvel ficaram tristes e Fernando Martins nunca ficou conformado. Por isso, um dia decidiu juntar um grupo de amigos igualmente amantes do desporto automóvel apaixonados pela Serra da Arrábida e sobretudo decididos a trazer de volta a competição na Rampa.

Durante três anos este grupo trabalhou duro tendo em mente atingir o seu principal objetivo que era um dia ver de novo a Rampa da Arrábida, inicialmente organizada pela secção de motorismo do Vitória Futebol Clube, ser uma realidade.

Claro que opositores, descrentes e céticos seriam o maior obstáculo a vencer, mais que as próprias dificuldades próprias de um grande evento com estas características muito específicas.

O sonho de Fernando Matias partilhado e assumido igualmente por Luís Caramelo, Fernando Tomé, José Manuel Barreto, Orlanda Matias, Bruno Coutinho e André Lopes estava prestes a tornar-se realidade.

Durante longos meses eles fizeram de tudo um pouco de forma a tornar a Rampa mais segura para os utilizadores. Limparam bermas e vegetação, lavaram a rampa onde se encontrava suja de cimento, melhoraram o pavimento onde o mesmo tinha socalcos de raízes de árvores e até conseguiram que parte dos blocos de pedra e barras de betão das bermas fossem substituídas por centenas de metros de rails protetores, mais seguros para todos os automobilistas e motociclistas que utilizam aquele troço da Serra da Arrábida.

Para dar mais força à sua modalidade aqueles amigos decidiram formar um clube visando promover o desporto automóvel porque desta forma seria mais fácil obter licenciamentos e conseguir os imprescindíveis apoios oficiais e particulares. Nascia assim, em 2016, o Clube de Motorismo de Setúbal (CMS) e com ele regressava a Rampa da Arrábida, um sonho tornado realidade no sábado dia 23 de setembro deste ano de 2017.

Rui Canas Gaspar



2017-setembro-20





domingo, 17 de setembro de 2017

Em Setúbal “só os burros não mudam” ou a arte em toda a parte. 

Esteve anunciado para o dia 23 de maio de 2014 pela Imocham e Câmara Municipal a inauguração de uma exposição cujas enormes fotografias chegaram a ser afixadas no alçado lateral do vetusto edifício onde estão sedeadas a Cruz Vermelha e a Sociedade Musical Capricho Setubalense. 

Se a exposição em si poderia ser pacífica, não faria porém qualquer sentido que as fotos fossem colocadas naquele espaço nobre da cidade, pelo que a contestação popular se fez sentir particularmente nas redes sociais. 

E como diz a expressão popular que só os burros não mudam, a Autarquia setubalense não quis fazer esse papel e poucos minutos antes da exposição ser inaugurada, já com os cartazes lá afixados, cancelou o evento, tendo então mandado retirar as fotos que viriam a ser transferidas para outro local, junto à Praia da Saúde. 

Vem esta memória a propósito de um outro evento que terá lugar hoje, domingo, dia 17 de setembro de 2017 o qual terá por cenário o bonito e muito concorrido Parque Urbano de Albarquel com a inauguração de uma peça decorativa publicitando uma garrafa de Coca-Cola. 

Se sou a favor e aplaudo todas as manifestações artísticas e representativas das mais diferentes sensibilidades de que Setúbal tem sido alvo, não posso concordar com esta iniciativa cujo objetivo não visa o embelezamento do espaço público mas sim a publicidade a um comum produto de consumo. 

Se o objetivo da marca fosse o agradecimento pelos seus 40 anos de presença no país então colocaria à disposição dos artistas a mesma verba despendida com a “garrafa” e davam a possibilidade que se escolhesse o tema para uma obra de arte, colocando depois ao lado da mesma uma placa identificativa e com o nome do mecenas, tal como fez a Imocham com o soberbo grafite do “Rapaz dos Pássaros”, por exemplo. 

Se com o “engodo” de obra de arte se está a fazer publicidade descaradamente a um produto, independentemente do gosto de cada um, ainda que essa publicidade não seja feita por intermédio de cartaz ou outro qualquer método habitual, então que ela pague, tal como todos os outros meios publicitários colocados na via pública e não seja alvo de qualquer reconhecimento ou agradecimento público. 

Esta é a minha opinião como setubalense e vale o que vale, deixando bem claro que sou completamente alheio ao aproveitamento político ou partidário que alguns amigos eventualmente possam vir a fazer desta lamentável situação. 

Rui Canas Gaspar

2017-setembro-17

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Um património a defender em Setúbal 

Este Verão os setubalenses mais atentos a estas coisas do passado da sua terra têm tido a oportunidade de poder apreciar com mais pormenor um pouco daquilo que foi a vida dos seus antepassados. Isto graças ao fogo que afetou boa parte da zona poente da cidade e das grandes desmatações que a autarquia e os particulares têm levado a cabo sobretudo na zona da várzea. 

Estes dois fatores puseram a descoberto muito daquilo que se encontrava escondido dos olhares devido ao matagal, silvas e canaviais podendo-se agora admirar algumas peças em razoável estado de conservação.

Nas antigas e numerosas quintas que envolviam Setúbal, podemos agora ver, enquanto os canaviais e matos não voltam a crescer, os pórticos das hortas, restos de calçadas, pequenas pontes, estruturas das noras regueiras e aquedutos. Podemos ainda observar bem conservados poços e enormes tanques para retenção de águas destinadas a rega.

Já na parte mais alta da cidade, para os lados do antigo convento de Brancanes são os oratórios e os cruzeiros,as fontes e as nascentes que poderão agora ser melhor observados. 

Estes são pedaços da nossa história que observados com atenção e se integrados na paisagem circundante nos contam como era a vida campestre dos nossos antepassados.

Este é um legado a preservar e tanto quanto possível a conservar e integrar nas novas paisagens urbanas que se pretende venham a constituir uma mais-valia para nós e para os nossos vindouros.

Esperemos que eles sejam devidamente e rapidamente integrados e não destruídos como tem vindo a acontecer, por este ou aquele motivo, como aconteceram com a casa da Azeda, a casa da Quinta do Paraíso ou mesmo o pombal da Quinta de Prostes.

Valha-nos ao menos o mirante da Quinta da Azeda, apresentado como emblema do futuro Parque Urbano da Várzea, uma das primeiras obras erigidas em Portugal, utilizando o betão armado e que alguém com “responsabilidades”, em tempos veio advogar a sua demolição.

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-31

quarta-feira, 30 de agosto de 2017


Setúbal vai erigir uma estátua ao Mané Bola
Não me parece que alguma vez um setubalense tenha sido tão rapidamente distinguido e com tamanha manifestação pública, como aquela que na próxima semana acontecerá com o falecido ator Carlos Rodrigues, para os setubalenses o popular Mané Bola.
Homem da cultura celebrizou-se no teatro, com alguma intervenção em televisão e não deixou por mãos alheias a poesia. Ele foi um dos mais ilustres filhos de Setúbal da contemporaneidade.
O espaço que irá receber o monumento já está preparado na Avenida Luísa Todi, na placa central, frente ao fórum, representando-o a fazer a sua tradicional vénia com a boina à espanhola na mão.
O Mané Bola desde final do passado ano de 2016 que deixou de ser visto pela praça, como por aqui gostamos de identificar o nosso belo Mercado do Livramento, um local que era de visita quase diária deste grande artista e que já não se encontra entre os vivos.
Gosto da forma como Setúbal está a ser alindada. Gosto das peças escultóricas com que a cidade vai brindando quem aqui vive e quem nos visita. Gosto sobretudo desta bela homenagem ao meu conterrâneo e contemporâneo Carlos Rodrigues, o nosso popular Mané Bola.
Rui Canas Gaspar

2017-agosto-30

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Não há para aí uns trocados? 

Os turistas quando vão visitar um país fazem-no pelos mais diferentes motivos e são muitos aqueles que por se identificarem com determinada personalidade local, viva ou falecida, não deixam de ir visitar a terra do seu nascimento. 

Ninguém sabe quantos turistas vêm visitar Setúbal por ser a terra de mundialmente famoso treinador de futebol José Mourinho só pelo facto de  serem seus admiradores, por exemplo. 

Mas há uma coisa que eu sei e que vou de imediato partilhar e que foi contada hoje por um amigo aqui do grupo que trabalha na Rua da Saúde, melhor dizendo, na Avenida José Mourinho, designação atribuída em 2013, e que foi notícia badalada aqui e no estrangeiro a qual já vem referenciada no Google Maps. 

Num destes dias andou um inglês às voltas pela Rua da Saúde, até que acabou por perguntar a este nosso amigo o que estaria de errado, pois o seu GPS mostrava aquela artéria como Avenida José Mourinho e a placa toponímica que até então conseguira ver apresentava-a como sendo a Rua da Saúde. 

O pobre homem mais não queria do que ser fotografado de modo a poder ver-se o nome do seu ídolo. Teve azar porque embora já há muitas luas a Rua tivesse sido promovida a Avenida o facto é que como disse no outro dia se calhar estão à espera que o Mourinho pague a placa com o novo nome, que por acaso é o seu. 

Será que não há por aí no orçamento camarário uns trocados para se mudar as placas e dar alguma alegria aos adeptos do futebol, ao mesmo tempo que se promove, gratuitamente, a nossa terrinha além fronteiras ? 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-28

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Sabia que tivemos aqui a Estação de Fruticultura de Setúbal? 

Foi na outrora verdejante e pujante quinta da várzea onde se cultivavam e aperfeiçoavam as melhores espécies de laranjeiras produtoras da famosa laranja da baía (de Setúbal) que o Estado instalou a Estação de Fruticultura de Setúbal. 

O espaço ainda hoje é propriedade pública. Fica na Estrada dos Ciprestes, quase na fronteira com o vizinho concelho de Palmela e, na sua entrada, podemos ver a indicação de que está sob a tutela da Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo. 

Uma outra placa, mais rústica, mas não com menos destaque, afixada junto ao portão de entrada, dá conta de que ali se vendem produtos hortícolas. 

Na enorme propriedade hoje podemos até ver um grande e verde milheiral a par de um raquítico pomar onde antigas e mal tratadas laranjeiras ainda sobrevivem, sabe-se lá como!... 

Valha-nos ao menos os nabos e os repolhos que por lá se desenvolvem e são comercializados dado que os citrinos de fama mundial  bem como o organismo que dele se encarregava já sumiram, desaparecido que foi tal como as famosas laranjas de Setúbal, que os algarvios aproveitaram e ainda bem que o fizeram. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-22

sábado, 12 de agosto de 2017

Pelos vistos o treinador José Mourinho vai ter de abrir os cordões à bolsa 

Quando eu estava na tropa foi-me atribuída uma condecoração, porém embora ela tenha ficado registada na caderneta militar o facto é que nunca me foi entregue. 

Quando tentei saber o porquê de tal acontecer explicaram-me que se eu desejasse ter a tal medalha teria de a comprar. Fui desmobilizado do exército após ter cumprido mais de três anos de serviço obrigatório e só quando de novo me convocarem para o Exército talvez pense em comprar a tal medalha mais que não seja para mostrar aos jovens recrutas de que sou um veterano medalhado. 

Também em Setúbal, já lá vão muitas luas, foi atribuído ao mundialmente famoso treinador de futebol José Mourinho, setubalense, a honra do seu nome figurar numa importante artéria da cidade, à beira-mar plantada, anteriormente designada como Rua da Saúde. 

O facto é que tanto tempo passado não consigo ver as placas toponímicas com o nome de Mourinho o que me leva a concluir que se o homenageado as quiser ver afixadas terá de abrir os cordões à bolsa e mandar fazê-las ele mesmo, isto porque os nossos responsáveis autárquicos pelos vistos estão a seguir o exemplo daqueles outros que também me atribuíram a condecoração militar. 

Assim sendo, o nosso conterrâneo José Mourinho que se prepare para abrir os cordões à bolsa, ou então a tal rua que foi promovida a avenida, continuará a ser da Saúde. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-12
Vai abrir uma nova fábrica em Setúbal 

O imóvel veio parar às mãos da Autarquia sadina fruto de uma permuta com os terrenos no Monte Belo onde foi erigido o novo Burguer King e a bomba de gasolina ali existente e desativada. 

No interior do velho e enorme prédio ainda nada foi feito, embora se conste na cidade que o novo pólo cultural da cidade venha a ser inaugurado antes do final deste ano. 

Chamar-se-á “Fábrica das Artes” não sei se por homenagem às antigas e quase desaparecidas artes de pesca setubalenses se pelo facto de ser destinado aos muitos “artistas” que por cá proliferam, ou se simplesmente será um espaço concorrente ou complementar da Casa da Cultura. 

O facto é que embora nada tenha sido iniciado e já muito ter sido anunciado, o enorme cartaz, foi agora ali afixado, cobrindo todo o alçado sul, na Avenida José Mourinho, bem perto do quartel dos Bombeiros Voluntários. 

Aguardemos então serenamente que a estridente sirene se faça ouvir, não para chamar as mulheres conserveiras ao trabalho, mas para fazer afluir os artistas setubalenses à sua nova fábrica. 

Rui Canas Gaspar 

2017-agosto-12 


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Setúbal está mais bonita 

Gosto das coisas bonitas, limpas e agradáveis à vista, acho que isso dá uma melhor qualidade de vida a quem aqui vive porquanto o ambiente que nos rodeia se torna mais saudável ao mesmo tempo que me dá mais prazer apresentar a terra onde nasci a quem me visita. 

É por demais sabido que os gostos não se discutem, porque o que é bonito para uns é simplesmente horrível para outros e, como tal, cada um fica com a sua opinião, sabido que regra geral a generalidade das pessoas aceitam melhor a limpeza do que a porcaria, o arranjo do que a degradação e, por aí fora… 

Depois de muitas vezes passar por baixo do viaduto agora suportado por “chaminés” das nossas tradicionais fábricas conserveiras, só há alguns minutos tive oportunidade de parar, apreciar e até ir junto das mesmas tocar-lhes. 

De facto, gosto e congratulo-me com a decoração que foi feita no viaduto da Antero de Quental, antes de entrar na Avenida dos Ciprestes. Acho que ficou sugestivo e fino. 

Aplaudo o artístico trabalho que foi levado a cabo no túnel de Quebedo com a colocação dos painéis de azulejos. 

Aprecio os trabalhos de recuperação e pintura com o apontamento artístico de homenagem à mulher conserveira com que ficou decorada a ponte, junto ao Miradouro de São Sebastião. 

E, goste-se ou não, eu pessoalmente aprecio também a última intervenção decorativa que foi feita nos pilares do viaduto, ali bem perto da Pedra Furada, um espaço que se encontra agradavelmente ajardinado e com iluminação noturna. 

Setúbal, ao longo destes últimos anos tem vindo a sofrer significativas alterações no seu visual, coisa que só não vê quem não quiser. 

Que há muito ainda por fazer, é verdade! Que, se calhar poderiam ser dadas prioridades a outros setores, provavelmente! Mas que Setúbal está mais linda que nunca, disso eu não tenho dúvidas. Mas esta é apenas e só a minha opinião e cada um terá a sua. 

Rui Canas Gaspar 



2017-agosto-09

domingo, 30 de julho de 2017

Um divulgador nato das coisas de Setúbal 

Três meses antes de acabar a Segunda Grande Guerra, nasceu no Alentejo, para as bandas do Escoural, um rapazinho que por lá cresceu e fez os estudos básicos. 

Quando tinha 11 anos mudou-se para Setúbal e matriculou-se na Escola Industrial e Comercial de Setúbal onde viria a completar o curso de Montador Eletricista. 

E, como não podia deixar de ser,  foi em Setúbal que conheceu uma linda moçoila com quem viria a casar em 1966 na Igreja de São Sebastião. 

Desde muito cedo se apaixonou pela fotografia como seu passatempo favorito e antes do digital teve várias câmaras fotográficas que lhe foram dando gosto ao dedo. 

Agora graças às novas tecnologias e às potencialidades oferecidas pelas máquinas digitais capta milhares de imagens, qual Américo Ribeiro dos tempos modernos. 

São para cima de um milhar os filmes que já colocou no youtube e que foram vistos por milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, menos na Coreia do Norte, coisa que ainda não conseguiu saber porquê. 

Este é sem dúvida um dos maiores divulgadores das coisas de Setúbal, homem que nos habituamos a ver em praticamente todos os eventos levados a cabo na cidade e que ainda arranja alguma disponibilidade para ser um dos administradores do grupo Coisas de Setúbal. 

Seu nome é António José SIMÕES DA SILVA um discreto e eficiente divulgador de Setúbal de aquém e além- fronteiras a quem a cidade já deve uma palavra de reconhecimento e apreço. 

Rui Canas Gaspar 



2017-julho-30

sábado, 22 de julho de 2017

Coisas de Setúbal vistas na várzea logo de manhã cedo 

Nesta agradável manhã de sábado praticamente não se via ninguém aqui pelas minhas bandas quando encetei a caminhada ao longo da Avenida da Europa, passando depois para a antiga Estrada dos Ciprestes para melhor poder observar o que resta das antigas quintas da várzea de Setúbal. 

Parei algum tempo a observar os trabalhos de limpeza de terreno na Quinta da Azedinha, frente à antiga central das águas, onde uma equipa desmatava matos e canavial e uma máquina ia triturando todo aquele material, numa louvável medida de prevenção de fogos. 

À entrada da Azinhaga de São Joaquim, virei à esquerda e passei junto ao campo de futebol dos Pelezinhos. 

Por ali não vi ninguém e já no final da vedação daquele recinto desportivo reparei que estava uma carrinha que me pereceu não ter ninguém dentro, porém para meu espanto quando estava mais perto notei que tinha condutor que de imediato colocou o motor a trabalhar e saiu daquele local na direção do Lidl. 

Ali onde me encontrava quase junto ao campo dos Pelezinhos está um dos antigos tanques de rega da Quinta do Paraíso e foi aí, na base do mesmo, que reparei numa espécie de altar, que me pareceu ter pouco tempo de ser construído, onde estavam as oferendas que fotografei. 

Dois molhos de velas, umas pretas e outras vermelhas; três caixas de fósforos já abertas; três garrafas de cachaça cheias mas sem tampa; três copos e três charutos. De facto quem quer que seja que ali colocou todos estes produtos e se tivesse intenção de os consumir na totalidade não deveria ficar com a cabecinha em muito boa forma!... 

Prossegui a caminhada e deu para observar as ratazanas que corriam ao longo do leito da ribeira agora transformada em esgoto a céu aberto, dos negros melros de bico amarelo que por ali esvoaçam e até um qualquer outro animal que por ali correu veloz escondendo-se no canavial, sem que percebesse se se tratava de gato selvagem, saca-rabos, raposa ou outro qualquer. 

Já prestes a completar a volta e antes de chegar de novo à Avenida da Europa, junto à rotunda dos vasos, lá estava uma outra máquina a limpar todo aquele vasto terreno, triturando as ervas e matos secos para prevenir o fogo. 

É bom sair pela manhã cedo e apreciar estas coisas de Setúbal, ainda que algumas delas sejam, de facto, bem esquisitas. 

Rui Canas Gaspar
2017-julho-22

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Conhece as hortas urbanas de Setúbal ? 

As hortas urbanas de Setúbal são espaços de produção agrícola, desenvolvidos por um conjunto de habitantes para quem a atividade primária representou, provavelmente para muitos deles, uma aventura devido a ser este o primeiro contacto real com a terra. 

A cidade dispõe já de 148 parcelas de terreno com uma área de 30 M2 cada onde outros tantos agricultores urbanos cultivam sem o recurso a produtos químicos os mais diferentes produtos agrícolas. 

De notar que para além destes espaços foram disponibilizados outros dois talhões mais elevados, adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. 

Todas as parcelas estão ocupadas e os agricultores pagam 7,5 euros mensais à autarquia para poderem usufruir de equipamentos coletivos, de guarda de ferramentas, vigilância do espaço, utilização de infraestruturas de apoio e consumo de água. 

As hortas ficam localizadas na Várzea de Setúbal numa zona de fronteira entre a cidade e o campo, em terrenos bastante férteis onde a autarquia investiu algumas dezenas de milhares de euros na criação de condições infraestruturais e de preparação do terreno. 

Este projeto iniciado já lá vão quatro anos pode dizer-se que é uma aposta ganha, atendendo ao entusiasmo dos seus utilizadores e à significativa produção agrícola que ali é produzida e que certamente vai contribuir para aumentar as receitas (ou diminuir as despesas) de mais de uma centena de agregados familiares. 

Rui Canas Gaspar

2017-julho-14

terça-feira, 11 de julho de 2017


As nossas “Marias” hoje levaram uma boa esfregadela 

Uns chamam-lhe “Fonte das Ninfas” outros “Fonte Luminosa”, porém o seu verdadeiro nome é “Fonte do Centenário” e foi edificada precisamente para comemorar o primeiro centenário da elevação de Setúbal à categoria de cidade. 

Em 1960 o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, deslocou-se à nossa cidade para inaugurar este monumento mandado erigir, em parte, graças aos donativos recebidos da generosa e bairrista população setubalense. 

Quando foi inaugurada a fonte tinha apenas a sua base decorada com os treze brasões dos concelhos que compõem o Distrito de Setúbal, só mais tarde ela seria completada com as três estátuas de figuras femininas representando as graças com que a cidade foi abençoada: A Terra, o Mar e a Poesia. 

As estátuas são da autoria do escultor portuense Arlindo Rocha e foram colocadas na fonte em Junho de 1971, encontrando-se agora a obra completa, embora algumas pessoas insistam em dizer que falta algo em cima da cabeça das meninas, mas não, elas estão ali tal como vieram ao mundo e nada lhes falta. 

Quem parece que não é da mesma opinião são os pombos e ultimamente as gaivotas que para ali vão e com os seus dejetos a que se juntam as areias e outros detritos levados pelos ventos fazem com que as águas da fonte tenham de ser frequentemente substituídas e a mesma devidamente lavada. 

Foi precisamente isso que hoje, dia 11 de julho de 2017 aconteceu. 

À volta de tão importante monumento e das simpáticas meninas uma equipa de operários da nossa autarquia apoiados por meia dúzia de veículos atarefaram-se a dar uma boa esfregadela como já há algum tempo não acontecia. 

Assim sendo, vamos agora ver as “piquenas” bem como a sua “banheira” mais desencardidas e brilhando em todo o seu esplendor como todos nós gostamos de admirar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-julho-11 


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Uma manhã a apanhar beatas na Praia da Figueirinha

A manhã estava agradável, sem o insuportável calor que se tem feito sentir e, a despeito do muito que tinha para fazer, decidi aceitar o convite de minha mulher para dar uma volta pela magnífica Serra da Arrábida.
Ainda não eram 10,00 horas e já contávamos cerca de meia centena de autocarros e muitas carrinhas de transporte de crianças que estacionavam entre o Parque de Campismo do Outão e a Figueirinha. Deu para reparar que outras tantas, ou mais, chegariam àquela praia durante a manhã.
Calmamente, sem qualquer tipo de confusão estacionei a minha viatura no parque de estacionamento e fui esticar as pernas. Foi então que reparei numa pequena equipa de voluntários que de xalavar na mão, ou de luvas calçadas, andava pelo areal a apanhar pontas de cigarros.
Sem qualquer protocolo, juntamo-nos à equipa e lá andamos durante cerca de hora e meia percorrendo o areal a apanhar “beatas”, pensando eu que esta boa ação seria para o deve e haver nas contas que teria de prestar por nos anos em que fui fumador ter algumas vezes deitado para o chão as pontas dos cigarros.
A praia continuava a encher, os autocarros não paravam de chegar e no final da manhã eram na ordem dos milhares as crianças com os seus coloridos chapéus ou as suas diferentes camisolas já enchiam aquele espaço.
A organização das diversas escolas e ATLs que demandam aquela praia de bandeira azul é verdadeiramente notável, não só pelas cores que as distingue como pela forma como os grupos dispõem as toalhas e mochilas no areal e até como outros, com improvisadas bandeiras, sinalizam as suas “tropas”.
A Praia da Figueirinha é um espanto, nestes dias de Verão, durante a semana é a alegria e a organização com a criançada, sem confusões nem engarrafamentos, aos fins de semana a coisa pia de outra maneira com os crescidos a fazerem das suas e por vezes a roçar o caos.
Por isso, prefiro sempre que possa juntar-me às crianças e usufruir da sua genuína e contagiante alegria, tal como o seu patente voluntarismo do que a certos grupos de adultos que só geram confusão em boa parte devido ao seu tremendo e estupido egoísmo.
Rui Canas Gaspar
2017-julho-05

domingo, 2 de julho de 2017

Jovens setubalenses apoiaram as vítimas dos fogos 

A tragédia abateu-se sobre o povo português com os fogos a devastarem viçosas florestas, secos pastos, ceifando vidas e destruindo casas, como por cá nunca se tinha visto. 

Aos esforçados bombeiros, juntaram-se no combate as forças de segurança, de saúde, e populares de forma a fazer frente a esta anómala situação. 

Após a tragédia seguiu-se uma onda de solidariedade com a tradicional generosidade portuguesa a responder em força, fosse com o depósito de avultadas verbas ou pequenas dádivas, fosse na forma de organização de espetáculos, fosse até na doação de alimentos, roupas e medicamentos. 

E tal foi o volume de dádivas chegadas às zonas sinistradas que as estruturas locais não tinham meios para lidar com tantos e diferentes artigos. 

Logo os esforçados presidentes das autarquias locais trataram de pedir voluntários para os ajudar e foram muitos os Escoteiros, os Escuteiros e jovens de diversas organizações que responderam ao apelo, deslocando-se para a zona do sinistro a fim de colaborarem na triagem, seleção e construção de kits de emergência e apoio. 

No sábado, dia primeiro deste mês de julho de 2017, logo de madrugada, um grupo de meia centena de jovens cristãos, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos embarcaram com destino a Pedrogão Grande. 

A solidariedade não é palavra vã e porque os mórmons, como também vulgarmente são conhecidos,  gostam de citar a escritura bíblica “Uma fé sem obras é uma fé morta” os jovens voluntários integrados no programa “Mãos que Ajudam”  trataram de dar o melhor de si no trabalho de apoio nesta importante tarefa, sabido que as boas vontades também vem acompanhadas de alguns inconvenientes. 

Assim, roupas, calçado e outros artigos que não estavam em condições de serem doados foram selecionados como lixo o mesmo tendo acontecido com alguns medicamentos ofertados e que estavam fora do prazo de validade. 

Hoje escutei  alguns  jovens mórmons setubalenses que participaram nesta ação e que depois de darem o seu melhor ao serviço dos mais necessitados, confidenciaram a sua satisfação por o terem feito e manifestaram o desejo de lá voltar para mais uma vez ajudar quem ainda tanto necessita. 

Obrigado jovens da minha terra pela generosidade que manifestaram de uma forma tão ativa e prática. 

Rui Canas Gaspar 

2017-julho-02 



(foto ilustrativa de outra ação “Mãos que Ajudam”)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

O Atlântico e o Sado conspiraram para oferecer a Setúbal uma nova pérola 

O inesquecível “monte branco” local de tantas brincadeiras daqueles felizardos  que nos seus tempos de juventude demandaram o Portinho da Arrábida desapareceu definitivamente , deixando no seu lugar uns vulgares rochedos, iguais a tantos outros. 

O Atlântico  decidiu que era tempo de mudar aquele monte de areia e levá-lo para outro lugar. Vai daí, conversou com o Sado e em comum decidiram que o areal seria transferido para Setúbal de forma a fazer aqui uma ampla praia de areia branca como existia antes da construção das muralhas e docas que hoje os setubalenses tão bem conhecem. 

Calma, silenciosa e pacientemente o Atlântico começou o seu árduo trabalho de retirada daquele enorme, fino e branco monte de areia e o Sado dedicou-se com afinco ao trabalho de a repor ali junto ao canto da popularmente conhecida estacada do carvão. 

E assim, sem grande alarido o Sado já conseguiu para ali transportar algumas toneladas de areia que estão já a cerca de um metro do topo da muralha, junto à estacada. 

O Sado de forma discreta e eficiente correu dali com o vetusto  barco EVORA fazendo com que na maré vazia ficasse com as hélices em seco. 

O Sado agora está muito contente e feliz, pois já vê, sobretudo na maré baixa, uma ampla praia que vai do novo “monte branco” frente ao edifício dos cacifos dos pescadores até à Praia dos Cantoneiros, junto à Gávea. 

Se um destes dias alguém quiser dar uma ajudinha, coisa que o Sado agradece, Setúbal será então bafejada com a sorte de ter uma das mais belas e compridas praias urbanas de Portugal e tudo isto graças ao complô destes dois nossos amigos, o Atlântico e o Sado de quem tanto gostamos e que cobiçamos sobretudo as suas lindas roupagens de cor azul, agora cada vez mais debruadas a branco. 

Rui Canas Gaspar 

2017-junho-30 


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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem conhece João Raposo um resistente homem da cultura ?

João Carlos Raposo Nunes, poeta e livreiro, uma figura bem conhecida do mundo da cultura, também conhecido como competente alfarrabista, é o homem que dá corpo à Livraria Uni Verso, um pequeno templo da cultura erigido por ele no passado ano de 1989 e que muitos setubalenses não dispensam de visitar com regularidade.

João Raposo, como é conhecido pela generalidade dos setubalenses, nasceu em Lisboa no ano de 1955 e por cá se radicou e criou raízes, tendo até colaborado com o jornal O SETUBALENSE onde durante alguns anos manteve a  rubrica cultural “Arca do Verbo”.

O poeta livreiro tem o seu pequeno espaço na baixa da cidade, no número 13 da Rua do Concelho, nas traseiras dos Paços do Concelho, ali bem perto da delegação de Setúbal da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, onde vende livros novos e usados a partir de 1 euro.

De facto é uma guerra pela sobrevivência aquela que João Raposo trava todos os dias para manter a porta aberta ao público, um público que teima em relegar a cultura para segundo plano, num país onde a produção de bens culturais não é feita em larga escala e cujos artigos continuam a ser taxados por quem deveria olhar de forma diferente para este importante aspeto da vida dos cidadãos.

Rui Canas Gaspar

2017-junho-29

terça-feira, 27 de junho de 2017

Precisamos em Setúbal de passadeiras mais bem identificadas 

Segundo me informou um agente da P.S.P. a maior parte dos acidentes em Setúbal acontecem precisamente nas passadeiras de atravessamento das vias, local teoricamente mais seguro. 

Os condutores setubalenses desde há muito que se habituaram a respeitar os peões aquando no atravessamento nas passadeiras, lembro-me de logo  após a revolução de 25 de abril ter organizado uma ação com os escuteiros onde fizemos e distribuimos aos condutores algumas centenas de panfletos sobre este assunto quando o trânsito era incomparavelmente menor do que é hoje. 

Seja por falta de perícia, descuido, ou por qualquer outro motivo o facto é que os acidentes acontecem. 

As tintas aplicadas na marcação das nossas vias tem um reduzido tempo de duração e rapidamente são apagadas e os automobilistas por vezes deixam também de as ver, e se não repararem na sinalização vertical pior um pouco. 

No vizinho concelho de Palmela optou-se, e bem, pela colocação de um holofote sobre as passadeiras, com a particularidade do suporte ser de secção quadrada e pintado de amarelo e negro, o que à distância dá logo para identificar a zona da passadeira. 

Em Setúbal também existem meia dúzia de passadeiras bem sinalizadas com luzes led colocadas no pavimento, o que é uma boa ajuda a quem conduz à noite. 

Para bem de peões e automobilistas convém que este assunto seja rapidamente tomado na devida conta e que se generalize a colocação de luzes led no pavimento a par de devida repintura das desaparecidas passadeiras. 

Rui Canas Gaspar
2017-junho-27

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