notícias, pensamentos, fotografias e comentários de um troineiro

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Os franceses continuam a invadir Setúbal 

Não é a primeira vez que os franceses invadem Setúbal e provavelmente também não será a última. 

Já lá vão alguns anos que com as invasões francesas ordenadas por Napoleão Bonaparte por cá estiveram, tendo-se instalado por uns tempos até serem expulsos devido à sua indecente e má figura.  Mais tarde, porque a sardinha lhes faltou nas costas da Normandia, vários dos seus industriais aqui vieram assentar arraiais, tendo então instalado várias fábricas de conservas de peixe. 

Nos últimos anos tem sido o sol e a água salgada que lhes tem despertado o apetite e, Setúbal voltou a ser redescoberta, desta vez para os mais velhos aqui passarem longas temporadas. 

Primeiramente foram as casas na zona do Bairro Salgado que lhes despertou o apetite e, logo trataram de as comprar e recuperar, depois avançaram um pouco por toda a baixa da cidade. Alguns preferindo outro tipo de habitação começaram a adquirir apartamentos na Quinta da Saboaria, aquela que é a última urbanização a poente da cidade, localizada na estrada que vai para a Albarquel, urbanização que já começa a ser conhecida  por “bairro dos franceses”. 

Não é pois de admirar que de há uns tempos a esta parte seja comum escutarmos um pouco por toda a cidade conversas em língua francesa. 

Hoje mesmo, tive oportunidade de observar um grupo de quase duas dezenas de seniores gauleses que se divertiam no Parque Urbano de Albarquel com os jogos tradicionais, que iam do lencinho ao jogo de tração. 

É assim, Setúbal está na moda e não é por acaso que a cidade se encontra em franca expansão com largas dezenas de edifícios a serem recuperados, com restaurantes com muito boa afluência e com muitos anúncios afixados procurando empregados para os respetivos estabelecimentos. 

Temos de continuar a tratar bem a nossa cidade, a fomentar o turismo, a divulgar por todos os meios ao nosso alcance esta nossa boa terra, de forma a podermos gerar emprego para todos, de modo a que cada um dos nossos conterrâneos possa ganhar o suficiente para ter a qualidade de vida a que tem direito de acordo com a sua aptidão e esforço despendido. 

Em Setúbal já vivem pessoas oriundas de mais de seis dezenas de países do mundo, vindas de vários continentes. Mas, os europeus que descobriram ou redescobriram esta cidade maravilhosa foram de facto os franceses que continuam a invadir Setúbal. 

Rui Canas Gaspar 



2017-novembro-13

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Em Setúbal 25 anos depois, nova obra vai acontecer 

Há 25 anos quando a Praça Miguel Bombarda, o popularmente conhecido Largo de Jesus se encontrava em miserável estado com o piso em terra batida e onde na época das chuvas mal se podia circular, os setubalenses insurgiam-se contra esta inqualificável situação. 

Aproveitando o fluxo de apoios comunitários o socialista presidente da Câmara, Manuel da Mata de Cáceres, decidiu promover uma empreitada com vista a requalificar aquele largo de que resultaram os arranjos exteriores que ainda hoje podem ser observados. 

O tempo encarregar-se-ia de mostrar que a solução arquitetónica não foi a melhor tendo o local sido rapidamente transformado num parque de skate pela rapaziada e a escondida cascata transformada num local onde muitos vão urinar e defecar. 

Para além destes pormenores temos um muro que dificulta a visibilidade do monumento não o colocando em destaque como seria de supor. 

O curioso é que estes trabalhos no valor de noventa milhões trezentos e cinco mil novecentos e três escudos, qualquer coisa menos do que quinhentos mil euros, foram aprovados por unanimidade pelo executivo municipal, ou seja, por representantes de todos os quadrantes políticos. 

Um quarto de século passado, de novo se anuncia a remodelação daquele largo, desta vez apontando-se para o destaque do imponente monumento, colocando nele o foco principal de todo o espaço envolvente. 

Faço votos para que a comunista Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal tenha mais sorte com o projeto que irá ser aprovado para o Largo de Jesus e que todos nos possamos regozijar com aquilo que ali vai ser feito e, já agora, que esses trabalhos possam ficar por mais tempo do que uns meros 25 anos, pouco tempo para tanto dinheiro despendido. 

Rui Canas Gaspar 

2017-novembro-09 


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A gigantesca árvore de natal setubalense já está a ser erigida 

Quando se trata de piadas onde mete gente indolente, regra geral o alvo preferido dos portugueses são os nossos amigos alentejanos. É claro que isso não os afeta e, até brincam com as anedotas que contam a seu respeito. 

Hoje conheci pessoalmente um alentejano, setubalense de coração, que certamente não será o melhor representante deste bom povo, dado que de indolente ele não tem nada.

Já nos conhecíamos do facebook e hoje encontramo-nos pessoalmente e aproveitamos para trocar dois dedos de conversa, pouco tempo, porque ambos tínhamos mais que fazer! 

Capacete na cabeça, colete refletor e luvas, aí estava ele em ação conjuntamente com uma equipa de pessoal que preparava a base da gigantesca árvore de natal que está a ser montada em Setúbal, na Avenida Luísa Todi. 

Este ponto de atração irá atingir uma altura ligeiramente acima do recuperado prédio do arco da Ribeira Velha, de sua propriedade, e os custos financeiros desta monumental estrutura natalícia serão suportados por este dinâmico investidor, que já vai com meia dúzia de edifícios recuperados ou em fase de recuperação, só na nossa cidade. 

A encimar a árvore será colocada uma grande estrela luminosa e será também junto à mesma que ficarão patentes diversas fotos captadas na baixa de Setúbal por talentosos fotógrafos amadores, no âmbito de um concurso promovido por uma das suas empresas. 

Este foi um agradável encontro onde tive o prazer de conhecer pessoalmente alguém que embora fale bem, faz muito mais e melhor em prol desta dinâmica e imparável cidade de Setúbal. 

Tive muito prazer em conhecer pessoalmente o meu amigo Constantino Modesto, um homem que de indolente nada tem, tal como a generalidade daqueles outros oriundos das grandes planícies alentejanas. 

Rui Canas Gaspar 



2017-novembro-08

sábado, 4 de novembro de 2017

Quem quer fazer um pequeno exercício? 

Se olharmos para a entrada do Convento de Jesus, em Setúbal, verificamos que o mesmo se encontra a cerca de dois metros abaixo do nível da Avenida 22 de Dezembro. Certo?... 

Ora sabemos que a Ribeira do Livramento (agora encanada) passa ao lado deste monumento e quando o mesmo foi terminado em 1496, ou seja já lá vão 526 anos, o mesmo estaria seguramente a um nível ligeiramente inferior à cota de soleira. 

Em números redondos isso significa que aquela zona da baixa de Setúbal subiu em média 0,004 por ano. Pouca coisa, mas o suficiente para atingir os tais 2 metros. 

Se hoje ao olharmos para a beira-mar verificamos que a água está a uns escassos 0,50 (se tanto) para transpor a muralha, significa que se a cidade não tivesse alteado teríamos metro e meio de água, em altura, a invadir-nos, ou seja teríamos água salgada até ao Estádio do Bonfim. 

A questão que se coloca é simples. Ora se com as alterações climáticas os oceanos estão a subir com maior rapidez e se a cidade não subir na mesma proporção (pelo menos à beira-mar) o que é que vai acontecer a Setúbal dentro de alguns poucos anos? 

Pois quem souber que responda e, quem puder fazer alguma coisa que o faça! 

Rui Canas Gaspar 

2017-novembro-03 


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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Generosidade e solidariedade não é palavra vã 

Quando forem seis horas da manhã de quarta-feira dia 1 de Novembro, feriado em Portugal, quando muitos aproveitarão para descansar um pouco mais outros trabalharão de forma voluntária para generosamente servir ao próximo. 

A essa hora matutina uma pequena caravana partirá da baixa de Palmela rumo ao Norte para entregar em Vouzela mais um carregamento de dádivas conseguidas em Setúbal e arredores. 

Tive oportunidade de fazer a doação familiar e depois, esta noite, conjuntamente com uma equipa de voluntários mórmons, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ajudar a carregar um camião com tudo e mais alguma coisa, armazenado nas instalações do Grupo Desportivo e Cultural Idolos da Baixa (de Palmela…) 

Embarcamos desde camas a colchões, passando pelo material de escritório, de roupas de cama a agasalhos, de sacos de cimento a ferramentas, de sementes a caixas de batatas, de géneros alimentícios a rações para animais, de árvores frutíferas a pinheiros. Uma infindável lista a que até não faltou até um carregamento com algumas toneladas de feno. 

Curiosamente o voluntário motorista do camião, pediu a viatura emprestada ao patrão e este ao saber a finalidade a que se destinava logo lhe disse que a levasse e não se preocupasse com as despesas de combustível e portagens que seriam suportadas pela empresa. 

Os portugueses são assim, se não são os primeiros em generosidade e solidariedade estão seguramente à frente dos segundos, prova disso são os múltiplos carregamentos angariados e já enviados para o Norte pelas diferentes equipas de voluntários de Igrejas, coletividades, empresas e grupos de cidadãos. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-31

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Será que vem aí mais alterações rodoviárias para Setúbal? 

Hoje recebi duas simpáticas cartas da Autoridade Tributária e Aduaneira dando conta de “uma pipa de massa” que tenho de pagar de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) no próximo mês de novembro. 

Este imposto veio substituir um anterior e destina-se aos cofres da autarquia sadina, que para  além de outras receitas e é com elas que a Câmara Municipal faz frente às despesas de manutenção da cidade e promove o seu desenvolvimento. 

Tal como os restantes cidadãos contribuintes darei os meus impostos por bem empregues se vir bons resultados e o contrário também é verdade. 

Julgo que não estamos em altura de mudar visuais, só porque de outra forma ficará mais bonito, mas sim de fazer coisas de raiz, de preferência necessárias e úteis. 

Daí que, por exemplo,  sendo a favor da construção do Parque Urbano da Várzea, que entendo ser uma necessidade premente por vários motivos e mais um, já não o sou no referente à deslocalização do viaduto das Fontainhas, porque poderá aguardar para quando tivermos mais dinheiro. 

Mas, de entre as coisas boas que hoje constatei foi a colocação de artísticos pinos e novas floreiras na Rua Vasco da Gama, no meu bairro de Troino, e o que não gostei foi notar que o meu dedinho que adivinha quando vem mau tempo me ter confidenciado que alguém estava a preparar-se para fazer uma “revolução” junto à doca dos pescadores no tocante à retirada do trânsito daquele local. 

Tenho mais medo do serviço de trânsito de Setúbal que o diabo tem da cruz, salvaguardando naturalmente as necessárias rotundas. 

Por isso meus amigos tenhamos cuidado com os projetos de trocas e baldeirocas, porque o dinheiro é um bem raro e está escasso, depois é bom lembrar que a ser verdade o que o meu dedinho adivinha, teremos de não esquecer que primeiro deve ser acautelado o estacionamento automóvel de entre outras importantes vertentes. 

É claro que isto digo eu que sou leigo na matéria e apenas um de entre os muitos pagadores de impostos cá do burgo. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-26 


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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Em Setúbal vamos construir o PUV ou ficamos pela metade? 

Alegrei-me ao ler ontem a notícia publicada pelo “Diário da Região” apresentando o leque de intenções para estes próximos quatro anos de novo mandato da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, porquanto gosto de ver a minha terra progredir. 

Embora existam ali, a meu ver, obras que considero não prioritárias, o facto é que o executivo tem a legitimidade democrática atribuída pelos votos expressos nas urnas e como tal tenho de respeitar as suas opções. 

O que me deixou apreensivo foi ler que no tocante ao Parte Urbano da Várzea se propõe construir as bacias de retenção de águas pluviais e, ponto final. 

Pensava eu que era neste mandato que finalmente se iria defender a cidade do ponto de vista ambiental, construindo de vez o PUV, atendendo a que aquele espaço constitui a última fronteira entre o betão e a natureza. Mas será que nestes 4 anos apenas ficarão contempladas, a fazer fé na notícia, as bacias de retenção? 

Então e o restante da avenida já começada? E a avenida de atravessamento junto aos “pelézinhos”? E a recuperação de alguns dos antigos equipamentos agrícolas? E a ciclovia envolvente? E a recuperação do emblemático mirante da Quinta da Azeda? E o mais importante, a plantação de árvores e plantas, ofertadas pela Portucel, conforme oportunamente anunciado? 

Faço votos para que o PUV seja uma realidade neste mandato da presidente Dores Meira, pois ele poderá representar a cereja em cima do bolo e ela poderá então sair pela porta grande. 

Que este não só útil como necessário projeto, que é também uma importante arma antipoluição, não fique no papel como aconteceu outros já anunciados com pompa e circunstância e que não passaram apenas e só de boas intenções. 

A nossa terra tem condições para ser uma cidade verde e necessita disso como pão para a boca, atendendo à malha industrial de que dispomos. Os bosques urbanos são uma forma de melhorar as condições de habitabilidade e de bom ambiente nas cidades. 

A imagem da várzea, despida de árvores, captada neste mês de outubro de 2017, quando o país perdeu boa parte da sua mancha verde, foi uma gentil oferta que o amigo Ricardo Ramoz, da Droneworldview me fez. 

Gostaria que em outubro de 2021 idêntica imagem fosse captada do mesmo ângulo mostrando não uma imensa zona despida de verde mas sim repleta de verde e onde os projetados lagos fossem  igualmente uma realidade. 

Setúbal tem necessidade deste pulmão verde, temos capacidade para o fazer, temos condições para o concretizar, não nos fiquemos apenas pelas boas intenções, ou por trabalhos começados e não acabados. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-20 


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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ora já sabem que eu estou aqui? 

Por força da minha atividade hoje passei boa parte da manhã na zona do Miradouro de São Sebastião e ali tive oportunidade de conversar com vários antigos moradores da zona e com alguns turistas nacionais e estrangeiros que demandaram aquele magnífico e ímpar lugar. 

Também mais uma vez estive a apreciar com alguma calma a obra de ampliação que foi levada a cabo no Museu do Trabalho destinada a um estabelecimento de cafetaria ou similar. 

Passados vários meses sobre a conclusão da mesma verifico que o espaço está fechado e sem qualquer utilidade, embora os trabalhos de construção civil tenham sido alvo de empreitadas com vista ao seu rápido acabamento. 

Os motivos porque aquilo onde se gastou tanto dinheiro estar inoperacional e sem utilidade parece começarem a ser do domínio público, por isso, nem vou aqui comentar. 

O que me chamou a atenção foi para a única peça que se encontra ali dentro, embrulhada em plástico já com alguma visível poeira, não só em cima dela mas no próprio espaço. 

Trata-se do emblemático triciclo onde o popular “Ervilha” transportava os seus famosos e deliciosos gelados, onde ficou célebre de entre outros o tradicional pregão: “Ora já sabem que eu estou aqui?” 

Não me vou alongar mais e vou terminar esta nota com uma simples pergunta e sugestão. 

Será que daria muito trabalho que se desse uma limpeza naquele espaço? E, já que lá está, porque não tirar os plásticos do triciclo, limpá-lo e coloca-lo ali mesmo em exposição com uma placa de dimensão adequada à leitura de quem passasse naquela artéria? 

E já agora, aproveitando a boleia. Que tal colocar as pedrinhas na calçada nos vários espaços onde se encontra em falta naquela turística e característica zona? 

É que, assim como assim, sempre se daria alguma utilidade a uma obra dispendiosa, até que nas condições em que está apareça alguma “ave rara” que vá pegar naquele espaço de cafetaria para o explorar. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-19 


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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Hoje fiquei a saber que Bocage vai mudar de lugar 

Setúbal está a mudar rapidamente e não serão muitos os setubalenses que se estão a aperceber desta realidade, com dezenas de edifícios a serem intervencionados, com pedidos de empregados que não aparecem e com a necessidade de operários especializados que cada vez são mais raros. 

Hoje partilho com os amigos que até Bocage está em processo de mudança e vai deixar a sua velha praça para se ir radicar na Avenida 5 de Outubro, bem perto, é certo, mas para novas instalações. 

Até ao final deste ano ainda estará pela Praça de Bocage, embora já tenha aberto e começado a funcionar em simultâneo nas novas instalações, o que está a dar origem a uma mudança tranquila. 

A nova casa, está decorada de forma simples, mas muito agradável e são as antigas fotos de Setúbal que ali tem destaque, aguardando-se uma em formato gigante mostrando a moderna Setúbal, embora seja apresentada a preto e branco. 

O edifício com 14 frações onde estava instalado mudou de dono, a exemplo do que está a acontecer com muitos outros edifícios nesta cidade que definitivamente está na moda. 

Hoje ainda entrei nas antigas instalações, com quase um século de existência e, nas mais antigas do seu ramo em Setúbal ali cortei a minha farta cabeleira. 

Na próxima ida ao barbeiro já não será ao vetusto Salão Bocage, mas aos mesmos competentes profissionais que por força das circunstâncias tiveram de mudar de instalações, para a nova Barbearia Bocage que ao mesmo tempo vem animar ainda mais aquele espaço, bem perto da Repartição de Finanças, um espaço que eu e a generalidade dos portugueses adoram. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-16

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Vida de lord, quem a quer? 

Eles são reis e senhores do Parque Urbano de Albarquel. Por ali passeiam, comem, bebem, fazem umas brincadeiras com as belas gatas e dormem descansadamente ao sol de Outono, mas que bela vida!... 

Caçar ratos, gafanhotos ou pássaros para comer? Tenham juízo! Eles nem sequer se dignam ir apanhar uns peixinhos ali ao lado, na doca… Para quê essa trabalheira? 

Estes senhores todos poderosos têm um serviço ao domicílio verdadeiramente exemplar. De manhã, à tarde ou à noite, ali chegam os mais diferentes servidores que lhes vêm trazer, comida fresca, ração seca ou deliciosos enlatados. 

A fartura é tanta que eles estão bem gordos e preguiçosos e a ração pode ser vista em montinhos em diferentes lugares do PUA. Não há nada como ter fartura! 

E quando estão fartos de por ali estarem sem nada para fazer, estes verdadeiros lordes não vão até às máquinas para fazer exercício físico, preferem o relvado e são as árvores que substituem as máquinas. 

Se dizem que é dura a vida de cão, coisa que eu até nem acredito. O facto é que  não deixa de ser vida de lord esta que levam os nossos felinos do PUA e isto não é para quem quer, é para quem pode! 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-11 


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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Quem tem memórias da Quinta da Inveja? 

Um amplo portão trabalhado em barras de ferro, de dupla abertura, chumbado a duas altas e sólidas ombreiras de pedra calcária serviam de terminal aos muros de proteção da propriedade que ostentava no topo do lado direito a designação de Quinta da Inveja. 

O acesso à quinta processava-se pela Estrada dos Ciprestes e em finais de 2014 as devolutas instalações ainda se apresentavam como a imagem documenta. 

Situada entre a Quinta da Azeda e a Quinta da Saudade tinha há muito deixado a atividade agrícola, porém a sua ampla casa de dois pisos denotava que os seus iniciais ocupantes teriam sido pessoas abastadas. 

De facto, em 1944, enquanto o mundo se digladiava na Segunda Grande Guerra, aqui à entrada da pacífica cidade de Setúbal, Joaquim Augusto Martins, entregou ao construtor José Guilherme dos Santos, um dossier com o projeto 34/A – 44, contendo cinco plantas e 41 folhas contando a memória descritiva, declaração de responsabilidade, licença de obras, etc. para que este procedesse à ampliação da casa ali existente. 

O novo edifício foi então erigido e serviu cabalmente as suas funções habitacionais e de apoio à atividade agrícola, até que precisamente 70 anos depois do início da sua construção ele viria a ser reduzido a um monte de entulho e, no seu lugar, nada mais ficaria do que a imagem fotografada da sua presença em terras sadinas. 

A demolição da casa processou-se no âmbito do projeto para a construção do Parque Urbano da Várzea e o entulho que dali resultou, depois de devidamente tratado, foi servir de material de enchimento à nova via em construção paralela à Avenida dos Ciprestes. 

Quem tem memórias da Quinta da Inveja incluindo até do conceituado restaurante que por ali funcionou? 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-10
As meninas nuas da cidade do Sado 

Em 2015 chegou a Setúbal pela mão do escultor João Duarte, uma menina gordinha com o sugestivo nome de “Dolce Vita” e ao que parece a piquena ficou tão bem impressionada com o espaço onde assentou arraiais que não mais quis dali sair, enquanto o seu amigo retornava à capital. 

Um ano depois, em 2016, João Duarte regressou de novo a Setúbal e mais uma vez veio acompanhado de outra menina bem nutrida. Esta no entanto veio já prevenida e tratou de trazer a cadeira não fosse a crise fazê-la ficar de pé naquele antigo Largo da Ribeira Velha. Pelo facto de trazer o assento foi batizada de “Menina da Cadeira”.

Como não há duas sem três, volvido que foi mais um ano e chegados a 2017, cansada, atendendo ao peso da mala eis que chega à Avenida Luísa Todi uma terceira mana, bonitinha mas igualmente gordinha, de seu nome “Menina da Mala”, coisa que pousou à entrada do Arco da Ribeira Velha e desde então até hoje lá está à espera de arranjar um quarto disponível para se instalar definitivamente em Setúbal. 

Estamos em Outubro, o ano está quase a findar e 2018 está a chegar. Será que João Duarte o artista natural de Lisboa, cidade onde nasceu em 1952, escultor galardoado com a "J. Sanford Saltus Award for Distinguished Achievement in the Art of the Medal", o “nobel” da medalhística, nos vai trazer outra menina bem nutrida? 

Gostos não se discutem, mas vamos lá nós saber porquê, ainda continuo a gostar daquelas três outras asseadinhas que não param de tomar banho na “Fonte do Centenário”, ou mesmo daquela distinta senhora, de linhas mais equilibradas, que se sentou à entrada da Praça do Bocage a mirar o poeta que lá do alto parece que não se cansa do seu embevecido olhar. 

Uma coisa parece que todas estas meninas têm em comum, é que elas são por demais encaloradas e, para aqui ficaram, tal como um dia vieram ao mundo. 

Com temperaturas tão altas que por cá temos sentido, qual é a piquena que aguenta roupas em cima do corpo? Tanto mais que a Praia da Saúde está dentro da cidade e já vimos muitas outras meninas setubalenses vindas dali quase desnudas. 

Ora estátua que se preze é vaidosa e faz então como o Bocage que ainda hoje está a aguardar a última moda, daí a explicação para nudez das nossas femininas figuras. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-10 


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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um dia veremos aqui em Setúbal o Parque Verde da Várzea 

Espero um dia poder vir a desfrutar de toda a beleza proporcionada por um belo e necessário parque verde que se anuncia para a Várzea de Setúbal, a “Última Fronteira” entre a natureza e o betão. 

Enquanto a Autarquia vai negociando com os proprietários dos terrenos a cedência de amplos espaços das suas quintas, dando-lhes a troco a possibilidade de erigir alguma construção ao longo da Avenida dos Ciprestes, eu vou colhendo todo o tipo de informação sobre aquelas antigas quintas, vivências, notícias e testemunhos de antigos habitantes e utilizadores. 

Quase tudo está documentado e compilado e agora trabalho sobre o material recolhido de forma a poder apresentar aos meus conterrâneos mais um conjunto de histórias de construtores civis, ecologistas, bairros, património edificado, linhas de água e sobretudo de um belo e rico espaço em vias de extinção. 

Depois de construído, o Parque Urbano da Várzea será o maior espaço verde setubalense e, para que fiquem com uma imagem inédita do que para ali está anunciado mostro-vos uma soberba vista aérea captada de propósito para este livro pelo nosso amigo Ricardo Ramoz, da Droneworldview, que desta forma quis gentilmente ajudar-me a levar de vencida mais este projeto sobre as coisas da nossa terra. 

E para melhor poder enriquecer a “Última Fronteira” grato  ficarei a todos os amigos que possam partilhar histórias, notícias, testemunhos e tudo o que se relacione, mesmo que considerem insignificante ou sem interesse, sobre este espaço setubalense, onde outrora laboraram os nossos antepassados em produtivas e verdejantes quintas e hortas. 

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-09

domingo, 8 de outubro de 2017

Os tesouros troineiros de Setúbal 

Quando eu era um rapazinho a alegria e entusiasmo contagiaram a rapaziada do bairro de Troino, naquele dia 11 de maio de 1957, ao saber-se que os trabalhadores que estavam a abrir uma vala para instalar o saneamento, na antiga Rua Direita de Troino teriam batido com uma picareta num pote, partindo-o e descobrindo um tesouro. 

Mais rápido que o vento corri para ver e ainda consegui trazer parte do tesouro, uma moeda romana, tal como todos os rapazes de Troino e alguns homens a que não faltou um conhecido setubalense, Francisco Finura, que por ser colecionador trouxe uma alcofa cheia de moedas. 

Logo a seguir à primeira ânfora, uma segunda foi encontrada e graças à intervenção do polícia que para ali correu a apitar para que todos os pequenos e grandes “assaltantes” dali saíssem ainda conseguiram ir para ao museu da cidade 11.091 moedas romanas. 

Há algum tempo, em conversa com um amigo foi-me confidenciado que no decurso de uma obra de recuperação de um imóvel levada a cabo há alguns anos num edifício histórico, relativamente perto do local onde foram encontradas as duas ânforas contendo o tesouro romano, teria sido encontrada uma bolsa de cabedal contendo várias moedas portuguesas da idade média. 

Curiosamente, a semana passada em conversa com outro amigo, este viria a informar-me que mais moedas teriam sido encontradas naquela mesma zona, nos anos 70 ou 80, aquando da abertura de uma vala, assunto que foi de imediato “abafado” pelo empreiteiro para que não lhe viessem os homens dos serviços de arqueologia parar os trabalhos  em curso. 

Setúbal é uma terra com milhares de anos de História, pelo que por cá encontrar-se-ão certamente enterrados muito mais vestígio do seu passado atestado pelas peças numismáticas que têm sido encontradas, sobretudo nesta típica zona da nossa cidade.  

Rui Canas Gaspar 



2017-outubro-08

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Setúbal, terra de muitas e desvairadas gentes 

Que eu tenha conhecimento os primeiros triciclos ecológicos transformado em postos de venda ambulante pertenceram ao popularmente conhecido “Ervilha” que no Inverno vendia castanhas assadas e no Verão era vê-lo de fato branco à marinheiro, com o seu popular triciclo, a vender deliciosos sorvetes de fruta ou chocolate. 

Ultimamente foi a mais antiga gelataria setubalense, a Valenciana, que adaptou um triciclo e dali saiu uma gelataria ambulante que não só publicita o estabelecimento como também vende os seus produtos pela cidade, nomeadamente nestes dias quentes, junto ao Parque Urbano de Albarquel. 

Agora começou a circular pela baixa da cidade mais um curioso e bem apetrechado triciclo a pedal, desta vez a vender empadas. Trata-se de um simpático brasileiro que parece estar a ter sucesso aqui por terras sadinas a fazer fé na popularidade que já granjeou, sobretudo na baixa comercial, onde pelo que me apercebi o seu produto está a ter muita aceitação. 

São as “Empadas da Zazá” e segundo publicita as verdadeiras empadas do Brasil apreciadas por portugueses, e despertando a curiosidade de turistas franceses, parados a apreciar, depois de ter passado pela mercearia dos paquistaneses, acabou por parar junto a uma loja de chineses, onde o fotografei nesta bela Setúbal que se vai transformando numa terra de “muitas e desvairadas gentes”. 

Rui Canas Gaspar 

2017-outubro-03 


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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Mais vale uma má democracia que uma boa ditadura 

Lembro-me de quando era criança de verificar o medo que os adultos sentiam quando diziam que escutavam uma emissora de rádio clandestina, não fosse um carro com antenas grandes (radiogoniómetro) apanha-los. E, para que isso não acontecesse, colocavam um copo de água em cima da telefonia. 

Lembro-me dos avisos de minha mãe, quando eu já era rapazinho, naquele dia 1º de maio, para que não apanhasse nenhum panfleto daqueles espalhados pelo chão da baixa de Setúbal, não fosse alguém ver e denunciar. 

Lembro-me de nas lojas da baixa se comentar “à boca pequena” os nomes daqueles conhecidos opositores ao regime que durante a noite a PIDE tinha ido prender a suas casas. 

Lembro-me de mulheres que se vestiam de negro por verem seus filhos incorporados no Exército e serem enviados para as guerras travadas em África.
Lembro-me que depois de ter sido incorporado na tropa e já a completar a especialidade ter sido obrigado a preencher a minha própria ficha para controlo da PIDE/DGS, a temida polícia politica. 

Lembro-me de após chegar da Guiné, e depois de ter uma ocasional conversa na SETUBAUTO, ter recebido a visita no dia seguinte de dois inspetores da PIDE para me interrogarem. 

Lembro-me de nas últimas eleições “democráticas” antes de 25 de abril de 1974 ter ido acompanhar a minha namorada que por ser funcionária publica tinha de votar enquanto eu não o fiz. 

Lembro-me da grande manifestação de alegria e entusiasmo genuíno naquele 1º de Maio vivido em liberdade na cidade do Sado. 

Lembro-me de em 25 de abril de 1975 estar bastante orgulhoso por ter sido convidado a integrar uma mesa de voto, sem auferir qualquer provento financeiro, naquelas que foram as primeiras eleições livres. 

Hoje, passados tantos anos sobre a devolução da liberdade ao povo e a instauração da democracia muita coisa mudou e o consumismo e individualismo sobrepõem-se agora, frequentemente, à generosidade e ao interesse coletivo. 

Porque não posso esquecer aqueles tempos de obscurantismo EU VOU VOTAR e aconselho todos os meus amigos a fazê-lo, não importando em que formação politica seja, sabendo que mais vale uma má democracia do que uma boa ditadura. 

Rui Canas Gaspar 

2017-setembro-28 


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Hoje ficamos a ver as estrelas no PUA 

Foram poucos os que tiveram o raro privilégio de apreciar esta bela noite estrelada junto à foz do Sado. 

De facto, depois de jantar quando cheguei ao PUA estava tão escuro como nunca tinha visto.  As luzes naquele espaço eram apenas as dos holofotes das instalações. 

Um curto-circuito tinha originado o apagão, pelo que no meio da escuridão o céu apresentava-se em toda a sua beleza qual manto azul-escuro completamente coberto de incontáveis e cintilantes estrelas. 

Os dois patrulheiros de serviço atarefavam-se a tentar resolver o problema e, foi com o recurso ao telemóvel, que o líder da dupla contatou o chefe que com as instruções à distancia deu para resolver parcialmente o problema. 

Assim sendo e enquanto não chegam os eletricistas para solucionar de vez a anomalia motivada por água de rega que está a afetar um dos focos, a secção correspondente foi desligada e o restante parque voltou a ter luz. 

Gostei de apreciar o trabalho eficiente do Américo, antigo homem do mar, de 70 anos de idade e do seu companheiro. O seu desembaraço e eficiência permitiram resolver este assunto num curto espaço de tempo. 

Os Patrulheiros são mais do que uns reformados que vão olhando pelo Parque Urbano e Avenida Luísa Todi, eles são não só os guardiões como aqueles que resolvem muitos dos assuntos que passam despercebidos aos habituais utentes. 

Rui Canas Gaspar 



2017-setembro-26

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Rampa da Arrábida ou o sonho tornado realidade

Por detrás de um qualquer empreendimento, pequeno ou grande, há sempre o sonho de alguém que, por vezes, remando contra ventos e marés o consegue tornar realidade.

A Rampa da Arrábida, provavelmente o mais importante evento desportivo realizado em Setúbal neste ano de 2017 é disso exemplo, dado ter nascido do sonho de Fernando Matias, um homem com raízes setubalenses e com uma vida ligada aos automóveis.

Os seus avós eram proprietários de uma fábrica de conservas aqui na cidade e viriam a falecer num acidente de automóvel, quando regressavam de Palmela em 1949, num Citroen Arrastadeira, deixando órfão um rapaz de 12 anos que foi morar para casa de uns tios, em Lisboa.

A criança cresceu lá pela capital, casou-se, mas o seu coração ficou desde sempre ligado a Setúbal, para onde se deslocava quase todos os fins de semana frequentando naquele tempo as lindas praias da serra mãe, de Galapos e Portinho da Arrábida.

Setúbal naturalmente estava sempre no seu coração e é desta linda terra que guarda as melhores recordações de infância.

O pai de Fernando Martins, até perto dos 40 anos, competiu nalgumas provas automobilísticas e, a Rampa da Arrábida, era a sua favorita por questões óbvias, logo, naturalmente também se tornou a do filho.

Com o final da competição na serra muitos adeptos do desporto automóvel ficaram tristes e Fernando Martins nunca ficou conformado. Por isso, um dia decidiu juntar um grupo de amigos igualmente amantes do desporto automóvel apaixonados pela Serra da Arrábida e sobretudo decididos a trazer de volta a competição na Rampa.

Durante três anos este grupo trabalhou duro tendo em mente atingir o seu principal objetivo que era um dia ver de novo a Rampa da Arrábida, inicialmente organizada pela secção de motorismo do Vitória Futebol Clube, ser uma realidade.

Claro que opositores, descrentes e céticos seriam o maior obstáculo a vencer, mais que as próprias dificuldades próprias de um grande evento com estas características muito específicas.

O sonho de Fernando Matias partilhado e assumido igualmente por Luís Caramelo, Fernando Tomé, José Manuel Barreto, Orlanda Matias, Bruno Coutinho e André Lopes estava prestes a tornar-se realidade.

Durante longos meses eles fizeram de tudo um pouco de forma a tornar a Rampa mais segura para os utilizadores. Limparam bermas e vegetação, lavaram a rampa onde se encontrava suja de cimento, melhoraram o pavimento onde o mesmo tinha socalcos de raízes de árvores e até conseguiram que parte dos blocos de pedra e barras de betão das bermas fossem substituídas por centenas de metros de rails protetores, mais seguros para todos os automobilistas e motociclistas que utilizam aquele troço da Serra da Arrábida.

Para dar mais força à sua modalidade aqueles amigos decidiram formar um clube visando promover o desporto automóvel porque desta forma seria mais fácil obter licenciamentos e conseguir os imprescindíveis apoios oficiais e particulares. Nascia assim, em 2016, o Clube de Motorismo de Setúbal (CMS) e com ele regressava a Rampa da Arrábida, um sonho tornado realidade no sábado dia 23 de setembro deste ano de 2017.

Rui Canas Gaspar



2017-setembro-20